Memória de Medo passa por tálamo de camundongo

O Laboratório de Neuroanatomia Funcional tem tradição quando o assunto é estudo do comportamento animal frente a uma ameaça feita por um predador. Agora, os pesquisadores estão empenhados em descobrir que áreas do cérebro do rato estão envolvidas na memória de medo, mas quando a agressão parte de um animal da mesma espécie – a quem os pesquisadores chamam de “co-específico”.

Lesão no tálamo

Experimentos mostraram que, ao lesar o núcleo anteromedial do tálamo, o animal perde a capacidade de formar ou “lembrar” uma agressão sofrida anteriormente, no mesmo local. Antes da lesão, o animal apresenta um comportamento chamado de análise de risco, em que a disposição dos objetos, o cheiro, enfim, o ambiente como um todo pode revelar informações importantes antes da tomada de decisão de “ficar ou fugir”.

O que não se pode medir

O primeiro autor do artigo, Miguel Rangel, explica que a lesão ensaiada neste estudo não permite refinar se a interferência se deu no processo de aquisição da memória ou no resgate da memória. “Experimentos de inativações pontuais, permitem”, que foi o que Rangel fez em seu doutorado. Não apenas a metodologia mudou, mas também o roedor observado – camundongos, desta vez. As próximas etapas do estudo envolvem a utilização de mecanismos de opto e farmacogenética para identificar, também, circuitos neurais mais complexos na formação da memória – uma abordagem nunca antes pensada. Os resultados ainda não foram publicados.

O futuro é molecular

O neurobiólogo Newton Canteras, pesquisador sênior do Departamento de Neuroanatomia funcional do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, é um dos autores do artigo, além de orientador de Miguel. Canteras conta que a investigação dos circuitos cerebrais envolvidos na memória de medo começaram em seu laboratório, na década de 1990, com experimentos envolvendo predação. Entre passado e futuro, o neurobiólogo fala sobre os desafios da Ciência rumo à compreensão do funcionamento do cérebro e da organização comportamental.

O artigo foi publicado na Revista Behavioural Brain Research.

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