O que é a febre amarela? Como funciona a vacina?

Começa nessa quinta-feira, dia 25 de janeiro, a campanha de vacinação emergencial contra o vírus da febre amarela no estado de São Paulo. Ciência USP aproveitou para fazer algumas perguntas a Marcos Boulos, professor da Faculdade de Medicina da USP e coordenador estadual de Controle de Doenças. Boulos estuda há décadas essa doença grave, que mata metade das pessoas que desenvolvem sua forma grave. Os sintomas mais característicos dessa forma grave são febre, icterícia e hepatite – é que o vírus ataca o fígado.

Quem precisa se vacinar

Para evitar a doença, devem tomar a vacina as pessoas que vivem em áreas próximas a matas onde o vírus está circulando. Não podem tomar a vacina crianças de até 9 meses, pessoas imunodeprimidas ou que têm alergia a ovo. Adultos com mais de 60 anos devem passar por avaliação médica para saber se podem tomar a vacina.

Mais de70 municípios paulistas participam da campanha de vacinação (confira se a sua cidade está na lista). Na capital, a vacinação será prioritária nos distritos de Campo Limpo, Capão Redondo, Cidade Ademar, Cidade Dutra, Cidade Líder, Cidade Tiradentes, Grajaú, Guaianazes, Iguatemi, Jabaquara, Jardim São Luís, José Bonifácio, Parque do Carmo, Pedreira, Sacomã, São Mateus, São Rafael, Socorro e Vila Andrade.

Segundo informação do Ministério da Saúde, assim como São Paulo, o estado do Rio de Janeiro também antecipou a data de início da campanha para 25 de janeiro. O terceiro estado afetado pelo atual surto da doença, a Bahia, também participará da campanha de vacinação.

Mosquitos são vetores da doença

O vírus da febre amarela se espalha por dois ciclos: o silvestre e o urbano. Os casos recentes registrados no Brasil são do ciclo silvestre. Neste ciclo, mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes transmitem o vírus quando picam macacos.

“O homem entra no ciclo silvestre por acidente. Quando os macacos morrem, os mosquitos descem da copa das árvores, em busca de sangue para produzir seus ovos”, explica Boulos.

Foram ciclos urbanos as epidemias de febre amarela que afetaram o Brasil na primeira metade do século 20. Nestes casos, o vírus foi transmitido pelo Aedes aegypti, mosquito muito bem adaptado ao meio urbano. Segundo Boulos, não é provável que o atual ciclo silvestre se torne um ciclo urbano, pois o monitoramento dos serviços de saúde tem mostrado que o Aedes aegypti que hoje está disseminado pelo país não parece ser capaz de transmitir o vírus da febre amarela, embora transmita dengue, zika e chikungunya.

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Com informações da Secretaria de Estado da Saúde e da Folha de S. Paulo

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