Dinos: cientista da USP confronta nova proposta de classificação

Pesquisadores da Universidade de Cambridge propuseram um novo arranjo na árvore evolutiva dos dinossauros. Mas um grupo liderado por Max Langer, paleontólogo da USP em Ribeirão Preto, revisou os dados dos londrinos e constatou que não apenas as características descritas estavam erradas, como também a hipótese de que os dinos surgiram no hemisfério norte.

Árvores evolutivas

A nova hipótese proposta pelos ingleses altera um antigo consenso entre os paleontólogos sobre a evolução e as relações dos principais grupos de dinossauros. O artigo publicado na Revista Nature coloca os Ornithischia e os Theropoda juntos em um grupo chamado Ornithoscelida; já os Sauropodomorpha, em uma linhagem separada. De acordo com Langer, a proposta parecia bem embasada, uma vez que os autores identificaram quase vinte características compartilhadas pelos ornitísquios e terópodos, indicando que eles eram proximamente relacionados.

Três grupos principais formam a filogenia dos dinossauros, não importa qual arranjo evolutivo se leve em conta: os Terópodes – bípedes predadores, como o Tiranossauro e o Velociraptor; os Sauropodomorfos – quadrúpedes, herbívoros, de pescoço longo e cabeça pequena; e os Ornitísquios – outro grupo herbívoro, composto por bípedes ou quadrúpedes, que inclui formas como o Iguanodon e o Triceratops.

Comparação entre as hipóteses de árvores evolutivas dos dinossauros. Crédito: Max Langer

Não é hora de reescrever os livros

Langer liderou um grupo internacional de especialistas na origem e na distribuição dos dinossauros. Eles utilizaram o mesmo banco de dados dos ingleses e revisaram características anatômicas de diversas espécies. “Nessa reavaliação, encontramos um conjunto maior de evidências favorecendo o modelo tradicional de classificação dos dinossauros”, comenta Langer, que defende ainda não ser hora de reescrever os livros sobre dinossauros. Para ele, estudos antigos que buscavam entender a origem dos dinossauros já haviam identificado a grande semelhança anatômica entre os Terópodes e os Ornitísquios, como a aparência das pernas e a locomoção bípede mais rápida. Mas para divergir de 100 anos de pesquisa e, pelo menos, 30 anos de classificação, é necessário mostrar mais evidências. “E isso o trabalho deles não apresentou”, conclui.

Da América do Sul

Outra sugestão dos ingleses, com base nos novos dados, relaciona a mais provável área ancestral dos dinossauros ao hemisfério Norte. Langer conta que, para inferir este tipo de hipótese, os pesquisadores costumam utilizar metodologias numéricas e biogeográficas disponíveis há mais de 15 anos. “Mas eles não usaram nenhuma dessas metodologias”, diz. O grupo de Langer, então, testou tanto a hipótese dos ingleses, quanto a própria hipótese e aplicou as metodologias. Segundo ele, os dados apontam ‘inequivocamente’ para a ideia tradicional, de que “os dinossauros surgiram na porção sul do supercontinente Pangéa, possivelmente onde hoje é a América do Sul”.

O artigo “Untangling the dinosaur family tree” foi publicado na Revista Nature em resposta ao artigo “A new hypothesis of dinosaur relationships and early dinosaur evolution“.

Com informações do Serviço de Comunicação Social da USP-RP

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