Sensor de papel facilita análise forense em campo

O vencedor do prêmio Teses Destaque USP 2017, na área de Ciências Exatas e da Terra, é um químico. William Reis desenvolveu sensores eletroquímicos e colorimétricos em papel para análise de três diferentes tipos de amostras: explosivos, adulterantes de drogas e de leite. O objetivo foi auxiliar a polícia a fazer detecções rápidas e fáceis, em campo.

Reis conta que desejava desenvolver métodos de detecção de drogas de abuso em fluídos biológicos, como a urina. No entanto, foi preciso contornar a burocracia de lidar com esse tipo de material, ainda que com objetivos acadêmicos. Por isso, ele e seu orientador, Thiago Paixão, optaram por analisar compostos químicos utilizados para adulterar, diluir ou mascarar amostras de drogas, entre elas cocaína, maconha e ecstasy. “Por exemplo procaína, benzocaína, aminopirina, cafeína são compostos adicionados à droga para aumentar seu volume e vender menos do princípio ativo”, explica Paixão. De acordo com os pesquisadores, o tipo de adulterante utilizado nessas drogas cria uma impressão digital química que pode auxiliar a polícia nas investigações. “Existem padrões de adulteração. Se você consegue fazer um rastreamento dessas amostras de drogas, você pode chegar até a origem geográfica dela”, aponta Reis.

Inovação e diversidade

O método se estendeu para análise de outros tipos de substâncias. Um deles é capaz de detectar até cinco tipos diferentes de explosivos a partir de três reações químicas usadas individualmente ou em conjunto. Este trabalho foi capa da Analytical Methods, uma importante revista científica da área, antes mesmo da publicação da Tese. Também utilizando medidas colorimétricas e eletroquímicas, o grupo de William passou a analisar amostras de interesse alimentício. “A gente buscou principalmente amostras de leite. Em geral, há adulterantes bastante utilizados para compensar o leite ou para aumentar o tempo de vida útil”, conta Reis que complementou sua formação na Universidade da Califórnia, onde colaborou para o desenvolvimento de um outro tipo de sensores: os wearable.

Mordedor bucal com sensor para medir níveis de ácido úrico através da saliva. Imagem: William Reis

São sensores portáteis, capazes de fazer análises sobre a pele com transmissão de dados via wirelless. Durante esse estágio, foram desenvolvidos sensores para zinco, através de uma tatuagem temporária que monitora o suor, e para ácido úrico. “Ácido úrico traz algumas doenças quando estão em concentrações elevadas. A mais conhecida é a hiperuricemia, que é a gota”, explica.

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