Winckelmann, o desconhecido fundador da história da arte

A melhor Tese de Ciências Humanas, escrita pelo doutor em Filosofia Pedro Fernandes Galé, chama-se “Winckelmann: Uma História da Arte entre a Norma e a Forma”. O trabalho, orientado por Marco Aurélio Werle, é das poucas no âmbito da Filosofia, no mundo, sobre o autor de “História da Arte da Antiguidade”, livro escrito no meio do século XVIII, que marca o aparecimento da Estética como disciplina filosófica e também da história da arte.

Um desconhecido

Winckelmann, um alemão nascido em 1718, contribuiu para estabelecer as bases da Estética e da História da Arte. Galé e Werle, ambos do departamento de Filosofia da USP, contam porque, ao descobrir a especificidade dos gregos, o autor evidenciou a separação radical entre eles, os antigos, e nós, os modernos. Em entrevista ao Ciência USP, Galé compara a interpretação de Winckelmann sobre as esculturas gregas com que se defronta no século XVIII. O belo, o divino, a serenidade e a oposição a Bernini e ao barroco, “detratores da arte”.

“Ela (a tese) marca essa posição de uma possibilidade de uma investigação interdisciplinar”, comenta Werle, que acredita na permanência das questões do pensamento filosófico proposto por Winckelmann. Segundo ele, o autor pensa a sensibilidade humana a partir de um plano mais amplo que o da psicologia. “E esse plano é o da História. Aí entra, justamente, a Grécia”, aponta. Galé contextualiza a importância do autor, também, a partir dos filósofos do século XVIII. “Winckelmann resgatou a antiguidade e toda a tradição renascentista”, completa.

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