Pellets de madeira: oportunidade verde para o Brasil

Para evitar os malefícios do aquecimento global, vai ser preciso substituir o combustível vindo do petróleo por outros, menos nocivos. Javier Escobar tratou de uma alternativa, em seu doutorado ganhador do Prêmio Tese Destaque USP na categoria multidisciplinar: Pellets de madeira – que o Brasil pode produzir para exportar para a Europa. Em seu trabalho, o engenheiro orientado por José Goldemberg desenvolveu o processo que “limpa” os pellets para que possam ser usados em lareiras. A tese foi feita no Instituto de Energia e Ambiente da USP.

O processo de limpeza, na verdade, é uma maneira de transformar biomassa sólida vegetal em energia. Escobar descobriu que o pellets de madeira de eucalipto tem excesso de sal, o que impossibilita a exportação de acordo com os critérios da União Europeia. Se o cloro estiver presente em qualquer processo de combustão, vai se transformar em organoclorados e eles formam as dioxinas, uma das substâncias mais tóxicas já conhecidas. “Traços de dioxina no ambiente são mutagênicos e prejudiciais à saúde humana. E dentro do sistema térmico industrial é corrosiva”, explica o pesquisador que desenvolveu uma patente inédita na área. Para isso, seu trabalho reduziu a fibra da madeira entre 5 a 20 vezes, aumentando a área de contato e facilitando a retirada de inorgânicos.

Sustentabilidade

O mercado de pellets é um produto promissor da Bioeconomia. O Brasil tem aumentado a produção desse material que pode substituir gás natural para uso residencial e pode diminuir a emissão de carbono das termelétricas, por exemplo. “Biomassa tem uma característica que as pessoas não se dão conta: é energia solar solidificada em uma árvore”, explica o físico Goldemberg. O interesse na produção dos pellets há uma década se tornou atrativa para o mercado internacional no uso de lareiras. “Esses pellets substituem o carvão, porque um dos problemas da madeira é o volume”, aponta.

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