Como aferir a legitimidade da polícia?

Para os cientistas sociais, legitimidade é um conceito importante para entender por que as pessoas decidem respeitar ou desrespeitar as leis. “Legitimidade significa o reconhecimento do direito de exercer o poder. Significa, simplesmente, que as pessoas, de modo voluntário, acreditam que aqueles que estão no poder tem o direito de exercê-lo”, explica Justice Tankebe, professor de criminologia da Universidade de Cambridge, no Reino Unido. Nascido em Gana, ele tem dedicado parte de seus estudos ao problema da legitimação dos atores que detêm o poder numa determinada sociedade.

“Há evidências consistentes, principalmente dos Estados Unidos, da Inglaterra e da Austrália, para mostrar que quando as pessoas acreditam que a polícia é legítima, elas têm uma maior tendência a obedecer à lei, mesmo se não houver nenhum policial por perto. E isso é interessante, porque é impossível ter policiais em todos os lugares o tempo todo”, diz Tankebe, em entrevista concedida ao Núcleo de Divulgação Científica da USP.

Confira na nossa playlist os principais trechos da entrevista:

A hipótese de trabalho do professor de Cambridge é que, quando as pessoas pensam sobre a legitimidade da polícia, elas consideram quatro dimensões: a legalidade das ações, a efetividade do policiamento, a forma como a instituição distribui seus recursos para atender diferentes grupos sociais e se os procedimentos dos policiais são justos.

Tankebe visitou o Brasil em março, a convite do Núcleo de Estudos da Violência (NEV) da USP. Ele conheceu a principal atividade de pesquisa do NEV. Trata-se de um esforço para entender como se constrói socialmente a legitimidade de instituições como o governo e a polícia a partir das interações cotidianas entre cidadãos e representantes destas instituições.

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