Médicos organizam estudo para acompanhar gestantes em Jundiaí

Jundiaí também está em busca de respostas sobre o Zika Vírus. Para entender melhor a reação do vírus em gestantes e em bebês, a Faculdade de Medicina de Jundiaí – um dos parceiros da Rede Zika, coordenada pela Universidade de São Paulo-, iniciou uma pesquisa em março deste ano após notar um aumento nos casos de microcefalia na cidade.

O projeto “Zika Vírus”, coordenado pelo médico pediatra Saulo Passos, acompanha quase 300 grávidas e utiliza o teste sorológico experimental do Instituto de Ciências Biomédicas da USP (ICB) para confirmar se há a presença do vírus no sangue. O acompanhamento é feito por meio de coorte – uma ferramenta de pesquisa de longo prazo, que além de monitorar as mulheres, atende crianças que nasceram com algum tipo de malformação.

Os médicos Saulo Passos e Stéphanno Sarmento contam como organizaram o estudo.

Os pesquisadores escolheram três grupos de mães para serem atendidas pelo projeto: gravidez de alto risco, suspeita de zika e mulheres que sofreram aborto. De acordo com Passos, o estudo destes grupos chamados “controle” pode fornecer dados sobre a incidência da doença na região e as consequências do vírus na área materno-infantil.

As mulheres podem entrar na pesquisa em qualquer momento da gestação. Além dos exames convencionais de um pré-natal, essas grávidas têm o sangue, a urina e a saliva coletados periodicamente. O objetivo é encontrar indícios da presença de algum arbovírus no sangue da gestante, como dengue, chikungunya, febre amarela ou zika.

Mesmo as rotineiras ultrassonografias são diferenciadas no projeto. De acordo com um dos médicos voluntários, Dr. Stéphanno Sarmento, a principal procura é por sinais diretos e indiretos de microcefalia e outras malformações, como o aumento do espaço subaracnóideo, aumento dos ventrículos, formação de parênquima cerebral etc.

Atendimento multidisciplinar

O projeto “Zika Vírus” conta com o apoio de voluntários, que acolhem as gestantes no hospital e as monitoram semanalmente, por meio de ligações. Os relatos dessas mães muitas vezes é acompanhado de pistas sobre sua própria saúde e de seus familiares, contribuindo para o diagnóstico e tratamento.

Em alguns casos, a gestante é encaminhada para o atendimento psicológico, também prestado por voluntários, que visa esclarecer as dúvidas dessas mães e apoiar o recebimento das crianças, inclusive na hora do parto.

Os cientistas querem saber, também, se bebês saudáveis podem se infectar durante o parto. Se a hipótese for confirmada, o próximo passo é decidir se devem adotar procedimentos semelhantes aos realizados em mães portadoras do vírus HIV. O Ministério da Saúde recomenda que toda gestante soropositiva deve receber o AZT na veia do início do trabalho de parto até o nascimento do bebê, por exemplo. Durante a gestação, trabalho de parto e parto, devem ser evitados o recolhimento do sangue do cordão umbilical e de líquido amniótico, além do uso de fórceps. Para mais informações, acesse http://www.aids.gov.br/pagina/parto

Para desvendar o mistério da microcefalia e descobrir como o vírus na mãe chega até o cérebro dos bebê, os médicos apostam em um banco de placentas. As coletas e armazenamento já começaram e, com a pesquisa, o grupo pretende estudar se a placenta age apenas como um filtro do vírus ou se ela aumenta a transmissão intrauterina.

Após o nascimento, as crianças com microcefalia ou outras malformações serão acompanhadas no ambulatório da Faculdade de Medicina de Jundiaí e por um grupo de psicólogos do Instituto de Psicologia da USP por até três anos. O grupo pretende encontrar a relação entre o vírus e as consequências no desenvolvimento cerebral dos bebês.

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