Desigualdade no Brasil é tema de debate nos Estados Unidos

Desigualdade é um dos principais temas de pesquisa do Centro de Estudos da Metrópole (CEM). Em fevereiro, um seminário reuniu em Washington, nos Estados Unidos, pesquisadores do CEM e de universidades americanas para debater os resultados do livro “Trajetórias das Desigualdades – Como o Brasil mudou nos últimos cinquenta anos”. O livro foi lançado em 2015 pelo CEM, que prepara uma edição em inglês.

“Queremos divulgar o nosso trabalho, tornar o trabalho do CEM e dos pesquisadores da USP conhecidos nos EUA, e dialogar em igualdade de condições. Mas também queremos abrir possibilidades de colaboração”, explicou a diretora do centro de pesquisa, Marta Arretche, sobre a participação no evento na capital americana. O seminário foi uma iniciativa do Brazil Institute do Woodrow Wilson Center — entidade comissionada pelo Congresso norte-americano para homenagear o 28º presidente dos EUA, Woodrow Wilson. O Wilson Center procura informar os formuladores de políticas públicas sobre questões globais, por meio da pesquisa e do diálogo.

Além de Marta, foram convidados para apresentar os resultados das pesquisas de “Trajetórias das Desigualdades” os pesquisadores Eduardo Marques, Adrian Gurza Lavalle e Fernando Limongi — os três, como Marta, professores da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP; José Antonio Cheibub, da Universidade de Illinois, nos EUA; Naercio Menezes Filho, do Insper; e
Carlos Ribeiro, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro. Os debatedores foram professores de universidades americanas: Peter Ward, da Universidade do Texas em Austin; David Lam, da Universidade de Michigan; Kenneth Roberts, da Universidade Cornell; Daniel Gingerich, da Universidade de Virginia; e Matthew Taylor, professor da American University.

Segundo os debatedores, o livro se distingue por apresentar a desigualdade para além da questão da renda. Segundo Ward, essa é uma abordagem nova nas ciências sociais. “O que vemos em lugares como o Brasil e o México são, realmente, novas formas de desigualdade. Com frequência, verificamos que as formas comuns de medir a desigualdade, como desigualdade de renda e desigualdade racial, tendem a diminuir. O interessante nesse livro e neste seminário é que a pesquisa mostra que mesmo com essas reduções da desigualdade, se você desagregar os dados, verá que há novas formas de desigualdade ou diferentes velocidades de se lidar com ela”, comenta o professor do Texas.

Também participaram da atividade em Washington Maria Herminia Tavares de Almeida, professora da USP e pesquisadora sênior do Cebrap; Carlos Eduardo Lins da Silva, consultor da Fapesp; e Sergei Soares, ex-presidente do Ipea.

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